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Grafite se consolida como ação cultural no DF

Entre junho e julho, a arte urbana protagoniza duas ações marcantes no Distrito Federal: as 28 paradas da W3 Norte e o muro do Complexo Cultural Samambaia (CCS). Os dois projetos são frutos da política distrital de valorização do grafite comandada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

Em quatro anos de trabalho, foram investidos R$ 450 mil só de cachês para 287 artistas urbanos de 26 regiões administrativas e duas cidades do entorno – Águas Lindas e Luziânia –, com cotas para mulheres (mínima de 30%) e, nos últimos editais, para pessoas com deficiência (PCDs).

Os editais do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) também têm destinado recursos para a arte urbana, como grafite, batalhas de rimas, slams e oficinas de capacitação. Nos últimos dois anos, os editais FAC Brasília Multicultural I reservaram 1,5 milhão para essa linha de linguagem.

“O grafite é uma arte que mexe com a forma de ser de uma cidade. Brasília é metáfora do modernismo e uma bela tela para a ocupação dessa expressão de traços e cores que reflete o pensamento de uma juventude urbana e seus territórios de pertencimento”, aponta o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

Um dos 28 selecionados para grafitar as paradas de ônibus da W3 Norte, Renato Moll sente-se reconhecido em ocupar, com sua arte urbana, um espaço nobre da cidade. “Isso vai mostrar que o nosso trabalho tem valor e é uma demanda social, que traz inspiração e questionamentos, de maneira democrática, realizado para o público que circula pelo DF”, destaca.

Premiado em primeiro lugar, Moll inspirou-se no sentimento da esperança para tocar os passantes da W3. “A mensagem da arte foi inspirada na música Dias da Serpente, do cantor e compositor carioca B-Negão. Fiquei surpreso por ter sido contemplado com o primeiro lugar, pois sei que temos pessoas incrivelmente talentosas e dedicadas aqui no DF, que estavam participando do edital”, observa.

Outro selecionado, Yong acredita que participar de projetos que colaboram com a cena artística é sempre uma honra: “A W3 é a avenida mais importante e charmosa da cidade, pensar que terei uma obra minha compondo o visual é gratificante. Será empolgante trabalhar nesse projeto”.

Ele observa que, nos últimos anos, a quantidade de projetos envolvendo a arte urbana aumentou bastante em Brasília e o suporte oferecido também cresceu em qualidade. “Precisamos seguir nesse caminho para nos aproximarmos dos grandes polos nacionais e no futuro, quem sabe, sermos vistos como um polo artístico internacional.”

Raissa Miah foi uma das nove mulheres escolhidas pelo edital da W3 Norte com um projeto que vai homenagear a atriz Dulcina de Moraes. “É uma proposta de importância tanto pelo valor histórico de pintar nesse grande projeto de revitalização da cidade quanto por ter sido selecionada entre tantos bons artistas da cidade.”

Com 15 anos de grafite e de arte urbana, Raissa comemora estar com sua arte no Plano Piloto, pintando com cachê e representando artistas mães solos e das quebradas. “Isso é muito relevante para mim. Além disso, o cachê vai impulsionar mais meu trabalho; torna-se mais um passo na profissionalização e portfólio artístico. Fico também feliz com o número de mulheres que estão participando.”

Samambaia com identidade

Em Samambaia, a expectativa é de transformar um muro de 150 m² num painel que aproxime ainda mais o Complexo Cultural à região administrativa. “Existe essa necessidade da identificação, de ter de fato a cara de um espaço cultural, além da valorização da arte urbana, que tem grande importância na cidade”, destaca a gerente do CCS, Suelem Rodrigues.

O coletivo vencedor, formado por Thamiris Flora, May Bucar, Kaus, Corujito e Fedds, receberá cachê total no valor de R$ 16 mil, além dos materiais necessários para a execução do trabalho artístico.

Os integrantes do grupo possuem carreira sólida e apresentaram uma proposta que homenageia a cultura e a diversidade de Samambaia, destacando trabalhos desenvolvidos na região administrativa nas áreas do cinema, das artes visuais e da música. A obra também vai homenagear as crianças – em uma referência ao futuro e às próximas gerações – e a samambaia – planta que batizou a cidade, como elemento símbolo de sua exuberância.

“É importante ter uma política pública voltada para artistas independentes, além da valorização e da visibilidade de projetos como esse. Essa ação possibilita a vontade de continuar seguindo, pesquisando e trabalhando com arte”, reflete May Bucar.

Política continuada

Uma das primeiras ações dessa gestão foi o III Encontro de Grafite, de 2019, idealizado em uma parceria com o Comitê Permanente do Grafite do DF. O edital selecionou 60 artistas para intervenção de tema livre em uma área de até 10 m² do Beco do Rato, no Setor Comercial Sul. Com investimento total de R$ 90 mil, cada artista selecionado recebeu R$ 1,5 mil.

Um dos veteranos do grafite no DF e membro do comitê, Carlos Astro foi um dos selecionados para grafitar dentro do Beco do Rato. “Passei a minha juventude aqui dentro e fico emocionado pela importância que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa está dando para intervenções desse tipo. Trabalhamos pelo fortalecimento dos valores da cultura hip hop, e um dos principais deles é o resgate social”, declara.

Mesmo enfrentando as limitações da pandemia da covid-19, as ações em grafite não pararam. Depois de ter realizado dois encontros de grafite, os investimentos na arte urbana seguiram adotando os procedimentos de segurança sanitária. Um deles auxiliou 52 artistas com o edital Prêmios FAC Brasília 60.

“Fizemos o IV Encontro de Graffiti na Galeria dos Estados em plena pandemia e transformamos os vãos do viaduto numa galeria a céu aberto, tornando-se um dos espaços públicos mais visitados por moradores e turistas”, destaca a subsecretária de Economia Criativa, Angela Inácio.

O edital lançado pela Secec selecionou 100 artistas para realizarem intervenção artística de tema livre em uma área de 10 a 20 m² do novo viaduto da Galeria dos Estados. Com investimento total de R$ 150 mil, cada artista selecionado recebeu R$ 1,5 mil.

De Planaltina, a artista plástica e grafiteira Iasmin Kali destaca que sua participação na Galeria dos Estados tem o intuito de não só revitalizar o local, mas de dar visibilidade ao grafite feminino e das artistas mulheres.

“Apesar de termos nomes muito importantes na cena da arte urbana feminina, ainda acho que o movimento das mulheres dentro da arte precisa ganhar mais força e proporção. Esses painéis representam o nosso sagrado feminino, maternidade, conquistas e desafios enfrentados por nós mulheres”, conta.

A presença feminina tem sido uma conquista nos editais do grafite da Secec. Na W3 Sul, com intervenção urbana nas paradas de ônibus, elas representaram 44% dos selecionados. Cada participante recebeu cachê de R$ 3 mil e kit com 20 sprays e uma lata de tinta para a base.

Fonte: Agência Brasília

 

Fonte: Administração Regional do Plano Piloto

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